
Então, pude concluir que sou um mal agradecido. Pude ver que sou um reclamão e que penso não ter as coisas que na verdade já tenho. Pude ver que, muitas vezes, em dias ensolarados, reclamo do Sol forte e digo que "precisa chover". E, quando chove digo que "a chuva só atrapalha". Quando dá uma dorzinha de barriga mais forte, comporto-me como se fosse o mais sofredor dos seres, como se padecesse de uma terrível moléstia.
E, naquela manhã que saí do hospital, pude perceber que, talvez, tudo o que aquele meu amigo gostaria, era justamente poder continuar sentindo o sol em sua pele, o vento em seu rosto, e, porque não dizer: ele daria tudo para "sofrer" com uma forte dor de barriga - qualquer coisa seria melhor do que o mal que lhe acometia.
Temos milhares de motivos para agradecer, mas infelizmente, damos mais atenção às coisas negativas que acontecem conosco, do que às coisas positivas. Freqüentemente, sentimo-nos injustiçados pela vida, frente aos problemas cotidianos que atravessamos. Mas esquecemos que, existem dezenas de milhares de pessoas, atravessando (com coragem) problemas muito mais terríveis, avassaladores e cruéis que os nossos. E, muitas vezes, apesar de atravessar estes problemas com bravura, essas pessoas têm suas vidas ceifadas por estes problemas.
Perdemos assim, a oportunidade de dar auxílio à estas pessoas, pois estamos impressionados, vitimizados por nossos próprios problemas. Perdemos a oportunidade de dar auxílio através de companhia, palavras de conforto e preces. Perdemos a oportunidade de levar às estas pessoas a compaixão e o auxílio fraterno. E perdemos, conseqüentemente, a oportunidade de vermos nossos problemas serem dissolvidos, minimizados, resultado do exercício da caridade para com o próximo.
Agradeçamos então, por nossos problemas, pois eles nos levam ao esforço para melhorar, e, se formos sensíveis o suficiente, saberemos melhorar através da caridade e do amor ao próximo. E agradeçamos pela oportunidade de exercer a caridade e o amor ao próximo.